Muitas cidades no mundo têm enfrentado problemas estruturais com Obras de Arte Especiais (OAE's), identificadas como pontes e viadutos. Em São Paulo, um acidente num viaduto sobre a linha da CPTM Villa Lobos-Jaguaré, em novembro de 2018, serviu para a Prefeitura de São Paulo colocar em prática boa parte do que se conhece em termos de tecnologia para a recuperação da estrutura, em curto espaço de tempo. Os painéis da manhã do workshop "Planejamento e gestão da manutenção de Obras de Artes Especiais na cidade de São Paulo" discutiram assuntos pertinentes ao caso.
O engenheiro civil especializado em estruturas, Paolo Franchetti, esteve à frente do primeiro painel, denominado "Obras de Arte Especiais, uma questão de tempo". "As Obras de Arte foram sempre avaliadas como se fossem eternas, ou seja, eu lembro, de 20 anos atrás, quando começamos a falar de Obras de Arte que envelhecem, que têm problemas de durabilidade, de excesso de carga, sempre eram vistas como eterna mesmo, o concreto era avaliado como material que não tinha fim, o aço do mesmo jeito e todos estão vendo que não é verdade", afirmou ele.
Segundo o técnico, as pontes desabam, na maioria das vezes, por falta de manutenção. "No Brasil, temos a consciência que a maioria das Obras de Arte são estaduais ou municipais e têm uma parte, avaliada em 30% ou 35%, que são federais. A tipologia construtiva foi feita com tecnologia limitada, na maioria das vezes, com concreto armado. São exatamente os casos que nos fazem preocupar mais, são os casos que, na nossa avaliação, tem um problema maior de durabilidade", descreveu Franchetti.
"A primeira coisa que podemos, como engenheiros, é fazer como um médico. Antes de fazer exames, ele faz um exame visual. Olha, controla, escuta, exatamente como fazemos nas pontes. Agora, eu vejo, com grande satisfação, que a Prefeitura de São Paulo está há bastante tempo trabalhando com isso, implementando processos, licitações, leilões. [...] Apesar de ter a primeira visão, nós fazemos também nas barragens, podemos ir dentro da ponte controlar de perto, podemos descer com alpinista, podemos ir com by bridge e controlar o estado da ponte por baixo, porque a maioria dos problemas não são visíveis por cima, são visíveis por baixo, tem drones, tem outros equipamentos possíveis, mas dão só uma imagem visuais. [...] O que falta, normalmente, para inspecionar todas as Obras de Arte é recurso", explicou o engenheiro elencando os testes possíveis para avaliar a emergência da obra.
Franchetti apresentou a curva de durabilidade dos materiais e os custos altos que envolvem as manutenções. Porém, trouxe ideias de ferramentas que permitem definir uma política certa de investimentos para uma rede viária segura com um mínimo controlado de despesas financeiras. "Toda essa atenção dada no mundo inteiro para o problema de manutenções é agora uma oportunidade para manter os nossos ativos com mais cuidado; segundo, tenho certeza que qualquer nova obra a ser construída aqui na cidade de São Paulo que vamos planejar, programar ou projetar, será feita com muita atenção aos problemas do tempo", finalizou o palestrante.
O engenheiro e professor do Departamento de Construção Civil da USP, Flávio Leal Maranhão, também falou durante o período da manhã sobre "Novas tecnologias para gestão de manutenção de Obras de Artes Especiais". "Como foi bem dito, nas novas pontes, não pensar na vida útil, no processo de manutenção é uma loucura, mas o problema é que a gente os ativos ou a maior parte dos ativos já construídos e uma grande parte com idade já avançada", declarou ele.
De acordo com o engenheiro, os novos aparelhos de celulares e o avanço da internet tendem a mudar cada vez mais o processo de engenharia "por um motivo simples: todo celular tem acelerômetro, giroscópio, todo celular mede temperatura e, dependendo do celular, mede a informação". Com isso, complementou o professor, "no estágio que temos hoje, a medição da saúde estrutural, mesmo que seja com o equipamento mais simples, ainda precisamos de equipamentos dedicados. [...] A gente para ou suprime a necessidade daqueles dados todos. O sistema de transmissão já começa a ficar racional, então a gente coleta com equipamentos um pouco mais simples e transmite, seja por internet, bluetooth, wi-fi, seja por qualquer coisa, a gente racionaliza o sistema de transmissão que tem uma grande vantagem: eu passo a não precisar de energia para alimentar um sistema, que em pontes é um problema colocar energia no meio do vão e, mais ainda, manter isso ao longo do tempo", declarou.
Resumindo, Maranhão expôs que acredita que equipamentos simples e baratos que sejam instalados e façam o monitoramento contínuo da estrutura vai orientar o gestor público a dizer se alguma coisa está diferente do esperado ou bate com o esperado. "Aí ele tem condições de prever ou aplicar os recursos existentes no plano de manutenção que ele queria", já que "otimizar coisas para a engenharia significa usar equipamentos de grande precisão, equipamentos que deem muita informação”. Por fim, sobre o futuro pontuou que ele significa "não precisar de equipamentos dedicados" para o setor.
O evento foi encerrado com uma rodada de perguntas feitas a todos os palestrantes dessa fase do workshop.
Acompanhe, na íntegra, aos painéis realizados nesta manhã de workshop: