TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO


Grupo discute os problemas dos carros abandonados na cidade de São Paulo Notícias

20/12/2017 00:00

O Brasil tem hoje cerca de 10 milhões de veículos abandonados. Parte deles encontra-se na cidade de São Paulo, trazendo diversos problemas a população. Para discutir o assunto, professores da Escola de Contas criaram um grupo a respeito, sob a coordenação do engenheiro João Carlos da Silva Martins. O resultado do trabalho pôde ser visto no workshop "Veículos abandonados e apreendidos nas vias públicas do município de São Paulo" realizado no dia 1º de dezembro, no auditório da Escola de Contas.

O CEO da empresa ScrapCapital e especialista no mercado de reciclagem, Adriano Assi, mostrou uma visão geral do que é entendido como veículo abandonado, falando, inclusive, sobre a origem desses carros. "Qual a origem desses veículos? Basicamente, de apreensões. Ou seja, de crimes (chassis adulterado, carros parados em blitz), veículos roubado ou furtados e de dívidas (multas e licenciamento, por exemplo). Pelo que levantamos, existem 26 outros motivos pelos quais um veículo pode ser apreendido". Ainda segundo ele, esses automóveis são também de acidentes, incêndios, falhas mecânicas ou de abandono intencional.

Nos pátios ocorrem danos e furtos e a liberação para o leilão é demorada. Para retirar esses carros das ruas há custos, questões jurídicas e operacionais. "Para cada tipo de veículo temos um tipo de receita. Alguns são sucata, outros conseguimos vender peças, tem os que necessitam de reparo, mas também os que estão prontos para rodar", afirma o especialista em reciclagem sobre as ações a partir da apreensão ou do abandono.

Esses carros estão sempre causando problemas. "Ocupam vagas nas ruas, espaços em pátios, poluem solo, são depósitos de resíduos, atrapalham a limpeza e a manutenção de logradouros. São criadouros de mosquitos, ratos, viram moradias de indigentes e pontos de consumo de drogas", conta.

A segunda mesa, com secretário adjunto da Casa Civil da Prefeitura Municipal de São Paulo, Alexandre Modonezi, foi além e apresentou diagnósticos e soluções para o problema na cidade. "É fundamental que todos os atores envolvidos tenham acesso à mesma fonte de informação e que essas baixas sejam feitas de forma padronizada e sistemática". A solução começa no munícipe com sua denúncia, portanto, ele deve ser informado rapidamente das demandas.

Modonezi conta que o mesmo veículo recebe várias solicitações para remoção. "Eliminando essas duplicidades reduziremos significativamente o estoque de solicitações", sugere.

Para o prefeito regional da Lapa, Carlos Eduardo Batista Fernandes, o carro perdeu o seu valor de uso. "A indústria automobilística ampliou, a inflação abaixou e ele está deixando de ser propriedade para ter somente valor de uso". Desta maneira, torna-se um entulho e ressalta os problemas culturais enfrentados na sociedade. "Principalmente na periferia você tem outro aspecto: das oficinas mecânicas que não têm espaço e usam as ruas públicas sempre como extensão da propriedade", finaliza.

Na Chácara Klabin cresceu o número de reclamações e denúncias, afirma o idealizador da plataforma colaborativa de mobilização CHK, Daniel Moral. “É uma questão que nos preocupa, tanto na área de segurança pública (uso de drogas etc.) quanto sobre a dengue. Elenquei algumas reclamações: a primeira delas é sobre a sensação de abandono que isso traz para o bairro, também sobre a dengue, a segurança pública e a mais interessante é a de que os carros funcionam, atualmente, como outdoor para propagandas."

Há respaldo da guarda nas ações, quando necessárias. O inspetor da Guarda Civil Metropolitana, Jorge Rocha, conta que quando a prefeitura regional, não só o serviço de remoção de veículos abandonados, necessita da presença da Guarda Civil, é feita uma interlocução entre as unidades de área para apoio. "Nós temos também um canal que pode ser usado pelos munícipes. É a central de telecomunicações da Guarda Civil por meio do telefone 153", o número deve ser usado apenas em situações de risco e em casos ilícitos.

"Todo mundo ganha resolvendo esse problema: o município, os recicladores, o estado, o meio ambiente, os munícipes e a saúde pública", encerra Adriano Assi.

Assista aqui o evento completo.