A gestora das Relações do Trabalho do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP) e professora da Escola de Gestão e Contas (EGC), Luiza Correia Hruschka, conduziu uma palestra em ambiente virtual, juntamente com Valéria Pugliese, médica formada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Psiquiatria e Medicina do Trabalho, nesta terça-feira (30/8), com o tema: “Assédio Moral e Sexual no Trabalho: Prevenção e Combate”. Durante o evento, que integra o Programa Ecos do Comportamento, promovido pela Gestão das Relações do Trabalho (GRT) em parceria com a EGC, foram apresentadas situações, exemplos e condutas de como agir em determinados cenários envolvendo o tema abordado.
A doutora Pugliese iniciou sua apresentação explicando, primeiramente, a origem da palavra trabalho. "Não é uma origem bacana, vem da palavra Tripalium que é um instrumento de tortura de três paus. Então, a origem do termo já diz que trabalho era uma coisa relacionada à tortura. [...] Quem trabalha? É quem é obrigado a trabalhar por questões econômicas".
Após os anos 1960, alguns estudos começaram a ser desenvolvidos para entender que reflexo o trabalho trazia para os indivíduos. Porém, o trabalho também tem um elemento paradoxal, sendo uma fonte de sofrimento que pode levar o indivíduo ao adoecimento, mas também, ao prazer e à realização. As pressões ocorridas no ambiente de trabalho podem trazer um impacto no equilíbrio psíquico e na saúde mental.
Na Suécia, em 1996, o assédio moral passou a ser objetivo de estudo, desenvolvido por Heyns Leymann. Na França, após a publicação do livro "O assédio moral: a violência perversa do cotidiano", de Marie-France Hirigoyen, começam a surgir leis que previam punições e condutas a serem adotadas nas situações de assédio moral no trabalho.
Já no Brasil, nos anos 2000, começa-se a falar sobre assédio moral no trabalho, a partir de Margarida Barreto. De acordo com ela, o assédio moral é ''uma modalidade sutil de violência com objetivo de controle social que se manifesta em todas as regiões, apresentando características comuns a todas e específicas em cada uma delas e abrange todo tipo de trabalhador, gerando sofrimento intenso, aparado, principalmente, nos sentimentos de humilhação e medo.''. O assédio moral é um sentimento antigo, porém, reconhecido recentemente pela sociedade, sendo conhecido, atualmente, como bullying.
Sobre assédio moral no trabalho, a médica Valéria Pugliese apresentou diversas abordagens de como combater e prevenir situações que envolvem o tema, como: aspectos legais (como é atribuído nas leis); conceito (trazendo exemplos de como o assediador age com a vítima); classificação (sendo interpessoal, uma situação específica; mas também, institucional, algo que vem junto à cultura da empresa); tipos e causas; exemplos (sendo eles de repetição e de intencionalidade); consequências (trazendo para a vítima problemas na saúde emocional e física; e ao local de trabalho, as relações podem ficar adoecidas e tendo queda de produtividade).
Existem também uma série de normatizações que embasam a caracterização de assédio sexual ambiente corporativo, tais como: aspectos legais (como é abordado nas leis); categorias (sendo elas chantagem, em que o superior hierárquico tem intenção de tirar alguma vantagem da vítima, e de intimação, quando há um comportamento invasivo e inadequado, seguido, normalmente, de conotação sexual); tipos de assédios; conceito (quando não há consentimento da pessoa assediada, e o objetivo do assediador é de intimar, obter vantagem da vítima).
De acordo com Valéria, a maioria dos casos pode ocorrer com qualquer pessoa que esteja presente no ambiente de trabalho, sendo vítima ou agressora. Ela ainda ressalta que, na maioria das vezes, essas situações ocorrem com mulheres ou com grupos com menor representatividade social, mas não é uma obrigatoriedade. Para validar o assédio sexual, é interessante que se tenha provas ou testemunhas.
Concluindo a palestra, a médica respondeu todas as perguntas que surgiram durante a transmissão.
Esta foi a 17ª edição do Programa Ecos do Comportamento, que reúne especialistas no desenvolvimento das competências comportamentais e socioemocionais.
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