Presidente do TCM é homenageado pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais Notícias

13/09/2018 18:30

O presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, conselheiro João Antonio da Silva Filho, foi homenageado nesta quinta-feira, 13 de setembro, pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, que lhe outorgou a medalha Colar do Mérito da Corte de Contas Ministro José Maria de Alkmim.

O evento, que lotou o Auditório Vivaldi Moreira, homenageia, anualmente, personalidades e cidadãos que prestam serviços ao Tribunal de Contas do Estado, a Minas Gerais e ao país. Além do presidente do TCM, foram agraciados com a medalha Colar do Mérito outras personalidades, entre prefeitos, vereadores e representantes do Poder Judiciário e de entidades da sociedade civil.

Na plateia, além dos sete conselheiros do TCEMG e de diversas autoridades, estavam presentes amigos e familiares do conselheiro presidente João Antonio, que é natural de Minas Gerais. Em seu discurso de agradecimento, João Antonio lembrou sua origem humilde e evocou antigas lembranças de paisagens, sons e falares que estão na essência de sua formação. “Como diz o ditado, ‘cultura vem do berço’. E do ‘berço’ de onde eu vim, jamais poderia esquecer a fonte que me fez o homem que eu sou hoje. Minas Gerais está na minha alma”, afirmou.

Leia na íntegra o discurso de agradecimento do conselheiro presidente do TCM João Antonio:

 

Uma volta no tempo, no meu tempo de Minas

Senhor Presidente, senhoras e senhores,

Minas Gerais tem um lugar simbólico na minha história, na minha formação moral e no meu passado familiar. Por isso, voltar aqui é como empreender uma viagem no tempo, no tempo em que eu apenas tinha sonhos.

Trago as lembranças mais antigas: os sons da rabeca de Zé Coco do Riachão; os encontros familiares; a simplicidade de uma família que sobrevivia com poucos recursos, mas que guardava os tesouros que só quem é do interior sabe da preciosidade.

As paisagens, imagens, sons, falares e gestos do Norte de Minas/Vale do Jequitinhonha. Essas marcas estão aqui e voltam sempre mais fortes quando revejo esses cenários, mesmo que alguns não passem de memórias dos familiares mais antigos.

Eu não tinha noção do mundo quando meus pais e irmãos maiores resolveram sair de Minas para tentar construir a vida no Norte do Paraná. Trabalharam nas lavouras de café, algodão e amendoim. O sofrimento da migração é a lembrança mais antiga que tenho dessa rápida passagem da minha família pelo Paraná.

Mas é verdade que aprendemos muito com as experiências. Cada trecho percorrido pela minha família e cada convívio com culturas diferentes serviram para solidificar em mim o respeito às diferenças e à diversidade. Essas são coisas próprias do nosso vasto e multifacetado país.

E, como diz o ditado, “cultura vem do berço”. E do “berço” de onde eu vim, jamais poderia esquecer a fonte que me fez o homem que eu sou hoje. Minas Gerais está na minha alma.

Nasci na cidade de São João do Paraíso, Norte de Minas, que para além da cultura acolhedora do seu povo e dos costumes locais, representa a síntese de vivências culturais diversificadas.

Projeto no meu viver a preocupação constante de Darcy Ribeiro com a Educação, a sensibilidade musical de Paulinho Pedra Azul, a autenticidade de Rubinho do Vale, o som encantador de Pereira da Viola e as trovas articuladas de Téo Azevedo.

Desde cedo fui contagiado positivamente pela riquíssima contribuição artística do Clube da Esquina à cultura brasileira. Essa sensibilidade é a síntese do povo mineiro: suas artes, seus costumes e sua capacidade de criação.

É a capacidade de “falar e silenciar na hora certa”. “Falar quando for para agregar valor cultural e silenciar para aprender”.

No jeito mineiro de ser, o silêncio e o falar na hora certa são modos especiais de compor a harmonia social.

Pois bem. Fui com esse modo de ver e de viver para São Paulo, no início da década de 1970. Em São Paulo aprendi a lidar com realidades concretas e duras. Aprendi e reaprendi, ampliei conceitos, lutei as lutas do povo e fiz meu caminho ao lado de muitas pessoas que construíram parte da história da cidade.

Meu currículo profissional e várias conquistas políticas e pessoais se fizeram em São Paulo, estado pelo qual tenho afeto e gratidão.

Fui vereador por três mandatos consecutivos na Capital Paulista, líder de Bancada e de Governo, presidente da mais importante Comissão do Legislativo Paulistano por três vezes; fui deputado estadual, secretário do Governo Municipal paulistano e, por fim, fui indicado pela Câmara Municipal de São Paulo ao cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Município de São Paulo – o nosso querido TCM que neste ano completa 50 anos de existência.

Hoje presido o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, para cuja tarefa levo as experiências do passado mineiro e o aprendizado no universo paulista.

Ser homenageado hoje por um dos Tribunais de Contas mais importantes do país, na minha terra, tem um significado que mistura simplicidade e gratidão.

Simboliza um reconhecimento que estendo ao trabalho realizado pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo, que se aprimora constantemente e adota as melhores técnicas e práticas de Controle Externo.

Aos meus amigos, familiares, autoridades e convidados aqui presentes, deixo um poema-pensamento do Manoel de Barros, que sempre uso como norte para a minha atuação profissional e para a vida:

A maior riqueza do homem é sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,

que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão

às 6 da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis,

que vê a uva etc. etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem usando borboletas”.

Belo Horizonte, 13 de setembro de 2018

JOÃO ANTONIO DA SILVA FILHO - Presidente do TCMSP