Escola de Contas promove debate sobre Economia Urbana e Mobilidade na Contemporaneidade Notícias

11/06/2019 17:00

Em São Paulo, a mobilidade urbana é um dos mais importantes temas de debate da contemporaneidade, considerando o impacto causado na ocupação da cidade e nas questões que permeiam o assunto. Com o objetivo de discutir questões como o preço da terra, infraestrutura, padrões de deslocamento e consequências secundárias como a gentrificação e segregação socioespacial, a Escola de Contas foi o local da conferência Economia Urbana e Mobilidade, realizada no dia 10 de junho.

Vladimir Fernandes Maciel, conferencista do evento, é economista pela Universidade de São Paulo, mestre em Economia de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas/SP e doutor em Administração Pública também pela Fundação Getúlio Vargas/SP. É professor universitário e coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE). A mediação do evento ficou com Silvio Gabriel Serrano Nunes, bacharel, mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

Inicialmente, trazendo alguns conceitos de economia, o conferencista abordou a renda fundiária agrícola, baseada no modelo do economista alemão Johann Heinrich von Thünen. Trouxe alguns apontamentos sobre custos de transporte, a necessidade do espaço e o preço do solo versus mercado imobiliário. A construção do Parque Minhocão no bairro Santa Cecília e a situação dos moradores de rua na região da cidade de São Francisco (Califórnia/EUA) foram dois tópicos abordados posteriormente com a interação do público.

O modelo de mobilidade europeu (gasolina cara e cidade estruturada a partir do transporte público) e o modelo estadunidense (gasolina barata e cidade estruturada a partir de freeways e subúrbios), segundo Richard Muth (1969), foram analisados ao lado da situação atual do Brasil, considerando a baixa extensão da malha ferroviária do país e como os problemas de mobilidade são estruturais, indo do fomento à indústria automobilística de Getúlio Vargas ao Plano de Avenidas de Prestes Maia.

A segregação socioespacial foi um dos tópicos amplamente abordados na conferência. Um imóvel oferece uma espécie de “cesta de atributos”, considerando características como o entorno, acessibilidade, o próprio imóvel em si, etc. Enquanto loteamentos e condomínios fechados para classes de maior renda ilustram a auto segregação, que contrasta com a segregação induzida, onde classes de menor poder aquisitivo são “empurradas” para áreas que carecem de equipamentos, infraestrutura urbana e qualidade de vida. Essa espécie de “Apartheid” social pode enfraquecer as trocas criativas entre moradores da cidade. Na mesma cidade em que existem pessoas com poder aquisitivo grande o suficiente para se estabelecer nas regiões dos Jardins e Higienópolis, há pessoas em cortiços e favelas espalhadas em regiões mais afastadas do centro expandido paulistano.

A febre dos “rolezinhos” também foi um questionamento abordado, resultado do choque entre classes distintas em um espaço aberto ao público em geral.

Após a conferência, foram abertas perguntas ao público e realizada entrega de certificado ao palestrante.

Clique aqui para assistir o depoimento gravado pelo Prof. Dr. Vladimir Fernandes Maciel para a seção Ideias e Soluções.