Pesquisa “Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade” revela que 52% das paulistanas já passaram por alguma situação de assédio Notícias

12/03/2019 12:00

Realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o IBOPE Inteligência, a pesquisa “Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade” fala sobre qualidade de vida das mulheres e desigualdade de gênero na capital paulista.

O estudo mostra que 37,1% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram com algum tipo de assédio nos últimos 12 meses: comentários desrespeitosos, cantadas, assédio em transporte público ou até de maneira mais agressiva. Entre janeiro e julho de 2018, foram denunciados quase 80 mil casos de violência física e psicológica.

A pesquisa também conta que, apesar do número de homicídios no Brasil ter diminuído, os registros de feminicídio cresceram. Em 71% de seus casos, os parceiros dessas mulheres são os principais suspeitos.

O ambiente de trabalho também traz desigualdade. As mulheres ganham, aproximadamente, 17% a menos que os homens. E ¼ das paulistanas declara ter sofrido algum tipo de preconceito ou discriminação por ser mulher, demonstrando um crescimento de 5 pontos percentuais com relação a 2018. Sendo que, as mulheres negras tem uma vulnerabilidade maior ao desemprego do que a população em geral. Outro dado levantado é que as mulheres têm um desempenho superior ao dos homens, uma vez que 72% delas podem ser consideradas “Funcionalmente Alfabetizadas” contra 69% deles.

Com relação às denúncias, pode-se reparar através do estudo que a maior parte das mulheres (26%) prefere denunciar os casos por meio de telefone em centrais de atendimento, como o Disque 180. Enquanto 24% - a maioria da classe C, pretas e pardas - optam por relatar os casos pessoalmente.

Além disso, o transporte público é apontado como o local onde correm mais risco de assédio para 4 entre 10 mulheres. Inclusive, 20% delas conta que já passou por alguma situação constrangedora. Somadas todas as variáveis verifica-se que, no total, 52% de paulistanas que viveram alguma abordagem desrespeitosa no transporte coletivo, no ambiente de trabalho, dentro da própria família ou em algum transporte particular.

Outro fator tratado pelo estudo é o percentual de mulheres que não dividem o cuidado dos filhos com outra pessoa. 70% das entrevistadas é mãe e quase a metade, 33% delas, não divide o cuidado das crianças com ninguém.

A pesquisa revela que a conscientização do tema aumenta o número de denúncias sobre preconceito no trabalho por ser mulher e as declarações de assédio no transporte coletivo. Além disso, a situação de vulnerabilidade das mulheres chama a atenção para as políticas públicas que combatem a desigualdade de gênero e violência contra a mulher.

Confira aqui o resumo da pesquisa.